As tuas palavras são em tudo verdade desde o princípio,e cada um dos teus justos juízos dura para sempre Sl 119.160


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sexta-feira, 22 de março de 2013

A bem-aventurança do perdão – Salmo 32


 
Introdução: – O perdão de pecados fala daquele estado de graça alcançado no momento em que o pecador penitente decide por confiar em Jesus, aceitando a Sua obra na cruz como o preço da redenção individual. O perdão se constitui no marco zero da nossa caminhada para alcançar a estatura de varão perfeito (Ef 4.13).

I. O TRÍPLICE ASPECTO DO PERDÃO.

A idéia de perdão, na Bíblia, tem muito maior alcance e significado do que aquele que costumeiramente temos em mente. Dependendoda raiz donde deriva o termo, perdão significa: “deixar”, “soltar”, “cancelar”, “remir”, “desobrigação”, “cancelamento”, “remissão” e “não levar em conta”.

Para melhor compreendermos a doutrina bíblica do perdão e a bênção que significa para a nossa vida de salvos, devemos levar em consideração o seguinte:

1. O Perdão é uma Concessão Divina. – (Sl 32.2). – Na Bíblia são abundantes as passagens que falam de Deus como o perdoador de pecados (Dt 29.20; 2Rs 24.4; Jr 5.7; Lm 3.42). Davi disse a sua própria alma: “É Ele (Deus) quem perdoa todas as tuas iniqüidades…” (Sl 103.3). Os judeus tinham a consciência de que ninguém mais, senão Deus, podia perdoar pecados (Mc 2.7). João, o apóstolo amado, diz que Deus está pronto para nos perdoar os pecados e nos purificar de toda a injustiça, mediante Jesus Cristo (1Jo 1.9).

•Deste modo quando o perdão é obtido, deve ser recebido com gratidão ao Senhor e tratado com respeito e admiração. Uma vez que como pecadores, só merecemos o castigo, o perdão é graça admirável. •Paulo diz que jamais poderemos obter a absolvição de nossos pecados pelos méritos de nossas próprias obras, mas unicamente pela graça divina (Ef 2.8-10). Deste modo, buscar o perdão divino como algo meritório, significa rejeitar a provisão graciosa de Deus, que diz: “Ainda que os vossos pecados sejam como a escarlata, eles se tornarão brancos como a neve; ainda que sejam vermelhos como o carmesim, se tornarão como a branca lã” (Is 1.18). 2. O Perdão é Alcançado Mediante o Arrependimento. – (At 3.19). – O arrependimento é condição indispensável para se alcançar o perdão divino. O arrependimento é uma forma de expressão do entristecimento do pecador por causa de seus pecados. É uma forma de “desespero” que lança o pecador nos braços do único que pode lhe ajudar – Deus.

Face a iminente manifestação do reino de Deus, João Batista pregou aos seus contemporâneos: “Arrependei-vos….” (Mt 3.2). De igual modo Jesus inaugura a era da graça, dizendo: “Arrependei-vos e crede no Evangelho” (Mc 1.15). A era da proclamação do Evangelho foi inaugurada com as seguintes palavras de Pedro: “Arrependei-vos, pois, e convertei-vos, para que sejam apagados os vossos pecados, e venham assim os tempos do refrigério pela presença do Senhor” (At 3.19). O arrependimento deve levar o penitente à confissão, ainda que nem sempre a disposição de confessar seja resultante do verdadeiro arrependimento. Note, por exemplo, Saul. Foi um dos homens que mais confissão fez a Deus no passado, mesmo assim nunca permaneceu em pé diante de Deus, tendo, inclusive, morrido no seu pecado, por lhe faltar o verdadeiro arrependimento.

•Há hoje uma carência de mensagens em nossos púlpitos enfatizando a necessidade dos crentes se arrependerem e confessarem os seus pecados cometidos após o novo nascimento. A nossa excessiva ênfase a generalidades em nossas mensagens tem sido responsável pela vacuidade do Espírito que um expressivo número de crentes está vivendo hoje em dia,

•O nosso zelo evangelístico deve ir além da diligência em conduzir os pecadores ao arrependimento e a conversão; deve levar-nos a agonizar e a pelejar no sentido de que os salvos permaneçam salvos e honrando a Deus com o seu testemunho. Para isto as nossas igrejas têm de ser levadas a estar sob os raios da luz sondadora do Espírito Santo.

•Muitas igrejas da América e Europa, na época dos grandes avivamentos do século passado, possuíam um banco chamado de “o banco dos penitentes”. A esse banco eram levados aqueles crentes que, tendo sido tocados pelo Espírito, durante o culto, aguardavam a oportunidade para fazer confissão e alcançar o refrigério do Senhor. Quem dera que esses bancos existissem em nossos templos ainda hoje!


•O hábito de confissão, sem o verdadeiro arrependimento, tende a transformar-se em cinismo e completo abandono do favor divino.

3. O Perdão Cancela a Culpa. – (Cl 2.13,14). – Paulo diz que quando estávamos mortos em nossos pecados e na incircuncisão da nossa carne, Cristo nos vivificou juntamente com Ele, perdoando-nos “todas as nossas ofensas, havendo riscado a cédula que era contra nós nas suar ordenanças, a qual de alguma maneira nos era contrária, e a tirou do meio de nós, cravando-a na cruz” (Cl 2.13,14).

A compreensão do cancelamento da culpa, através do perdão, deve conduzir-nos à compreensão da doutrina da justificação apresentada sob duplo aspecto: o cancelamento da dívida do pecado na “conta” do pecador, e o lançamento da justiça de Cristo em seu lugar (Rm 3.24,-26).

•Conta-se que Martinho Lutero, certa ocasião, defrontou-se com o diabo que o acusava da culpa de pecados grosseiros. Após abrir alguns pergaminhos nos quais estavam registrados os pecados de Martinho Lutero, disse este a Satanás: “Satanás, te esqueceste de acrescentar no final que o sangue de Jesus, o Filho de Deus, me perdoou de todos estes pecados”.
•Esta é a certeza que todo o crente perdoado deve ter – de que todo o pecado passado já foi perdoado e a culpa do mesmo cancelada e removida para sempre. Já não há porque viver sob o tormento das acusações do diabo.
II. CONFISSÃO PARA PERDÃO. (Sl 32.3-6).

O apóstolo João diz que “se dissermos que não temos pecado, enganamo-nos a nós mesmos, e não há verdade em nós” (1Jo 1.8). Isto significa que apesar de estarmos perdoados e do pecado já não mais fazer parte do cotidiano da nossa vida, de momento somos traídos pela velha natureza e somos arrastados à prática de um pecado que gostaríamos ter evitado. Ler Rm 7.15; 1Jo 1.9.

1. A Confissão Comunica Saúde. – Cf Sl 32.3. – O peso de uma consciência acusadora por causa de pecados encobertos, não confessados, constitui-se numa das principais causas de doenças psicossomáticas. Davi confessa o envelhecimento precoce de seus ossos, resultante do acobertamento de seus pecados. Noutras pessoas, o complexo de culpa gerado por pecados encobertos, causa problemas renais, hepáticos, psiquiátricos, de medo, insônia, enjôos, etc. Com este ponto de vista corrobora o testemunho de um psiquiatra cristão que disse se pudesse comunicar perdão aos seus clientes, teria 70% deles curados em menos de 24 horas. Não estamos dizendo que todos os casos de enfermidades têm como sintoma pecado encoberto e por confessar. Concordamos, sim, que o nosso povo poderia gozar de saúde caso descobrisse o poder sanador da confissão. Tg 5.16.

2. A Confissão Comunica Alegria. – (Sl 32.4). – Face os seus pecados não confessados, Davi se sentia dia e noite sob a mira do juízo de Deus. Em decorrência disso ele diz: “o meu humor se tornou em sequidão de estio” (Sl 32.4). A pessoa que usufrui do perdão divino é alguém que goza de paz com Deus e consigo mesmo; é uma pessoa bem-humorada. Seu rosto retrata o Novo Testamento. É uma pessoa que tem estima por si mesma e pelos outros. É alguém que pode cantar: “Já se foi, já se foi, já se foi; todo o peso da minha alma já se foi”.

3. A Confissão Comunica Paz. – (Sl 32.5). – Pecado confessado é pecado perdoado, e onde existe perdão, existe paz. Tão logo confessou o seu pecado ao Senhor, Davi pode dizer: “…tu perdoaste a maldade do meu pecado” (Sl 32.5). A tumultuada vida de então, dá lugar a bonança gerada pela certeza do perdão divino. “O que encobre as suas transgressões, nunca prosperará, mas o que as confessa e deixa, alcançará misericórdia” (Pv 28.13). Perdoados e justificados pela fé temos paz com Deus, (Rm 5.1).

4. A Confissão Requer Diligencia. – (Sl 32.6). – Apesar da possibilidade do crente vir a cometer pecado (1Jo 2.10, somos instados pelas Escrituras no sentido de não nos acostumarmos no estado de pecado, porque, segundo escreve o salmista, poderá chegar um momentoem que Deus, por causa da nossa familiaridade com o pecado não estará disponível a nos perdoar (Sl 32.6; Is 55.6).

III. BÊNÇÂOS DECORRENTES DO PERDÂO (Sl 32.7-11).

Muitas são as bênçãos alcançadas pelo crente, decorrentes do perdão divino. Dentre essas se destacam as seguintes:

1) Abrigo. – (Sl 32.7). – Perdoado dos seus pecados confessados, disse Davi acerca de Deus, o seu perdoador: “Tu és o lugar em que me escondo; tu me preservas da angústia; tu me cinges de alegres canto de livramento”. Deus promete abrigo seguro, junto ao seu coração, àquele que anda em retidão na sua presença (Sl 24.3,4). Cf Pv 18.10 com 2Sm 22.3,51).
2) Instrução. – (Sl 32.8). – Só o homem perdoado pode gozar do privilégio de ser entregue aos cuidados e instruções do Senhor. Nascido do Espírito, ontem, hoje e sempre o crente perdoado sabe que pode confiar na direção de Deus para com a sua vida (Jo 3.8).

3. Inteligência. – (Sl 32.9). – O cavalo e a mula precisam de cabresto para ser puxados; o crente, porém, é conduzido pela voz interior da mente de Cristo que nele habita (1Co 2.13). Ler 1 Jo 2.27.

4. Confiança. – (Sl 32.10). – É extremamente confortador saber que, numa época quando as instituições seculares estão a fracassar e as promessas humanas a falhar mais e mais, podemos exercer confiança no Deus eterno, pronto a cumprir a sua palavra fielmente. (Jr 1.12; compare com Pv 23.18).

5. Regozijo. – (Sl 32.11). – A alegria no Senhor, como um estado de alma, chama-se “regozijo” ou “gozo”. É um privilégio exclusivo do homem e da mulher perdoados. É um estado de alma só experimentado por “aquele cuja transgressão é perdoada, e cujo pecado é coberto…” (Sl 32.1). O crente deveria jamais esquecer do imerecido perdão divino. O perdão alcançado em Deus fecha as portas que ficam detrás de nós, enquanto abre de par em par as portas do porvir. (Sl 116.12-14).